Novembro Azul foca na atenção à saúde do homem

Novembro Azul foca na atenção à saúde do homem

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Redação, a partir de textos originais do site Vida&Ação* – redacao@negrxs50mais.com.br

Novembro Azul é uma campanha para conscientizar a população sobre a necessidade de atenção à saúde do homem de forma integral e, mais especificamente, à prevenção ao câncer de próstata, que depois do câncer de pele não-melanoma,  é o mais incidente entre os homens brasileiros. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a cada 38 minutos um homem morre devido à doença.

O Inca estima que o Brasil registrará 65.840 novos casos em 2021. Anualmente, são 13,6 mortes para cada 100 mil homens, quase o dobro da taxa de mortalidade registrada nos Estados Unidos (7,7 casos para cada 100 mil). Três entre dez casos de câncer em homens brasileiros são diagnosticados na próstata.

Mas, além da doença, diferentes dúvidas se tornam mitos e afligem os homens, tais como o medo de ficar impotente sexualmente ou perder a ereção. O cirurgião oncológico Gustavo Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos do grupo BP-A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esclarece as dúvidas mais frequentes durante as consultas médicas.

Mês emblemático para sensibilizar os homens

Coordenador do Programa Estadual de Saúde do Homem, o enfermeiro Giovani Dimas chama atenção para a mudança de conceito pelo Ministério da Saúde, com o Novembro Azul direcionado ao reforço de hábitos de saúde e de prevenção masculina. Ele lembra que, por décadas, a prevenção ao câncer masculino se restringiu à próstata.

“Esse mês é muito emblemático porque tem como objetivo sensibilizar os homens e os profissionais de saúde quanto às ações do autocuidado, mas com uma visão global. Devem ser ressaltados os fatores socioculturais relacionados à masculinidade, seu adoecimento, promoção, proteção e prevenção”, esclarece Dimas.

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“A relevância da ação acerca da saúde da população masculina inclui o planejamento das atuações e a organização dos serviços de saúde e não se deve restringir apenas ao mês de novembro, mas todo o ano e ir além do rastreamento da próstata. Por isso, temos que incluir nesse cuidado as vivências familiares, laborais, promoção do autocuidado, prevenção de doenças crônicas e infectocontagiosas”, aponta Giovani Dimas.

Direito amplo à saúde do homem

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Para o coordenador da Saúde do Homem, a abordagem ao público masculino deve passar pelo envelhecimento saudável, direito a licença paternidade na construção de vínculos saudáveis entre pai, a mãe e o bebê.  Bem como o amplo acesso às informações sobre cânceres de pele, pênis e de boca que acabam não tendo tanta divulgação como o de próstata.

“Tudo é uma questão cultural. A mulher é mais preocupada com a sua saúde e o homem deve ter o mesmo cuidado. Sendo assim, ele precisa procurar uma unidade de atenção básica para controle da pressão, do diabetes, ter suas vacinas em dia, além de realizar consulta com clínico para avaliar seu estado geral. Saúde é papo de homem e deve ser incentivado”, aposta Dimas.

Entretanto, não são as altas taxas de incidência e mortalidade que mais afligem os brasileiros. É o medo de ficar impotente sexualmente. Além do receio de perder a ereção, há dúvidas sobre as reais causas para o desenvolvimento do câncer de próstata, sobre como fazer o diagnóstico e os tipos de tratamento. Muitas dúvidas se tornam mitos.

1 – O câncer de próstata é transmissível

Mito. O câncer de próstata, assim como qualquer outro tipo de câncer, se desenvolve a partir da proliferação desordenada de nossas células, causada por mutações no código genético. Não é, portanto, transmitido de uma pessoa para outra, pois não é infecciosa ou contagiosa.

2 – O câncer de próstata é mais comum em idosos

Verdade. O câncer de próstata é mais comum com o aumento da idade. Estima-se que seis entre dez casos registrados no mundo ocorrem em homens com 65 anos ou mais. No entanto, homens de todas as idades devem ficar atentos aos fatores de risco pessoais e conversar com seus médicos para a realização de exames que permitam a detecção precoce da doença.

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3 – O câncer de próstata acabará com a minha vida sexual

Mito. Em alguns tratamentos para o câncer de próstata, como a cirurgia, os nervos que rodeiam a próstata e controlam a ereção peniana podem ser lesionados. No entanto, a extensão dessa lesão depende de uma série de fatores, como localização e tamanho do tumor e do tipo de tratamento realizado.

Em números, cerca de metade dos homens com bom desempenho sexual antes do tratamento do câncer de próstata ainda terá uma boa função após o tratamento da doença. Outros homens apresentarão impotência moderada a severa, mas a maioria tem apenas uma pequena perda da função sexual, que muitas vezes volta ao normal dentro de alguns meses a um ano após o tratamento. No entanto, a idade pode ser um fator complicador e, à medida que os homens envelhecem, já têm algum comprometimento da função sexual.

4 – Não ter um caso na família não impede que eu desenvolva a doença.

Verdade. Apesar do histórico familiar de câncer de próstata dobrar as chances de ter a doença, os chamados casos esporádicos (sem qualquer herança familiar) são a maioria. Estima-se que um em cada seis homens serão diagnosticados com câncer de próstata ao longo da vida. Os homens negros são 60% mais propensos a terem câncer de próstata e possuem 2,4 vezes mais chances de morrer da doença.

Entretanto, o histórico familiar e genético desempenha um papel importante no risco de um homem desenvolver câncer de próstata. Um homem cujo pai teve câncer de próstata é duas vezes mais propenso a ter doença. O risco é ainda maior se o câncer foi diagnosticado em um membro da família com menos de 55 anos ou se a doença acometeu três ou mais membros da família.

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5 – Não apresentar sintoma significa não ter câncer de próstata

Mito. O câncer de próstata surge como uma doença silenciosa e indolor. Além disso, muitas vezes os sintomas podem ser confundidos ou atribuídos a outras doenças. Os sinais de câncer de próstata são frequentemente detectados pela primeira vez durante um check-up de rotina.

Os sintomas mais comuns incluem necessidade frequente de urinar, dificuldade em iniciar ou interromper a micção, fluxo fraco ou interrompido de urina, dor ou ardor, dificuldade para ter uma ereção, ejaculação dolorosa, sangue na urina ou no sêmen, dor frequente e rigidez na parte inferior das costas, quadris ou coxas. Se tiver qualquer um destes sintomas, procure seu médico para diagnóstico e tratamento, se for necessário.

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6 – É possível tratar e não ficar com incontinência urinária

Verdade. Nem todos os pacientes ficarão com essa sequela. E isso é importante, pois, assim como com a função sexual, os homens também se preocupam com a incontinência urinária como uma consequência do tratamento do câncer de próstata. A maioria do homens tratados de câncer de próstata vão recuperar a continência urinaria e os pacientes mais jovens geralmente evoluem melhor e mais rapidamente. São adotadas técnicas como a reabilitação com fisioterapia do assoalho pélvico com utilização de eletroestimulação.

7 – O exame de PSA diagnostica câncer de próstata

Mito. Os exames de PSA medem os níveis do antígeno prostático específico na próstata, não o câncer. O PSA é produzido pela próstata em resposta a uma série de alterações que possam estar presentes na próstata, incluindo uma infecção ou inflamação (prostatite), o aumento de tamanho da próstata (hiperplasia benigna da próstata) ou, possivelmente, o câncer.

O exame de PSA é o primeiro passo no processo de diagnóstico para o câncer. Ele é útil para a detecção da doença em estágios iniciais, quando é possível ser tratada. Especialistas acreditam que o exame de PSA salva a vida de aproximadamente 1 em cada 39 homens que realizam o exame.

8 – O exame de PSA não dispensa o exame de toque retal

Verdade. O exame de PSA é mais eficaz quando é feito concomitante ao toque retal e quando se leva em consideração também a avalição dos fatores de risco do paciente.

9 – Ter um PSA alto é certeza de diagnóstico de câncer de próstata

Mito. Os níveis do PSA podem ser úteis no diagnóstico do câncer de próstata, mas eles são apenas uma peça do quebra-cabeça. Assim como um valor alto não significa necessariamente que um homem tenha a doença, um valor baixo não significa não ter a doença. Para ter um quadro mais completo da saúde da sua próstata, é necessário realizar: o PSA, o exame de toque retal  e a biópsia da próstata. O toque retal permite que o médico determine se existe alguma alteração anatômica da próstata, por exemplo, aumento de tamanho, já a biópsia mostra se as células possuem alterações compatíveis com a doença.

10 – O aumento do tamanho da glândula não significa que haja câncer de próstata

Verdade. O aumento da próstata e o câncer de próstata são coisas diferentes. Os sinais e sintomas do aumento do tamanho da glândula incluem dificuldade de esvaziar completamente a bexiga, necessidade frequente de urinar durante a noite e incontinência urinária. O aumento da próstata acontece com a maioria dos homens à medida que envelhecem e esta condição não aumenta o risco de câncer de próstata.

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 11 – O exame PSA beneficia principalmente os homens acima de 65 anos

Mito. Apesar de o PSA ser realizado principalmente em pessoas com mais de 65 anos, os homens que realmente se beneficiam do exame são os mais jovens. Se esses realizarem o PSA e a biópsia, o diagnóstico precoce da doença garante grandes chances de cura.

12 – A atividade física ajuda a prevenir o câncer de próstata

Verdade. A atividade física atua na prevenção do câncer ao ser um elemento contra o sobrepeso ou diferentes graus de obesidade. Isso porque a obesidade desregula múltiplas vias hormonais, estando associada à altos níveis de insulina, baixos níveis de adiponectina (hormônio proteico que modula vários processos metabólicos, incluindo a regulação da glicemia o catabolismo de ácidos graxos), baixos níveis de testosterona, altos níveis de citocinas inflamatórias (que afetam a resposta imune) e cada um destes fatores podem ser determinantes para a progressão do câncer.

13 – Apenas a atividade física de alto rendimento cumpre esse papel de prevenção

Mito. Se você fizer exercícios de intensidade leve ou moderada durante 150 minutos por semana já será um importante hábito preventivo. É fundamental também associar a prática de esportes a uma dieta saudável.

14 – É uma doença de crescimento lento, mas nem por isso não devo me preocupar

Verdade. Existem diferentes tipos de câncer de próstata, alguns de crescimento muito lento e outros mais agressivos. Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer na próstata pelo patologista, o médico tem condições de caracterizar o potencial de agressividade do tumor e indicar o melhor tratamento com base em vários fatores, incluindo a idade do paciente e seu estado de saúde geral. Os pacientes precisam entender a complexidade da doença e tomar decisões em relação a seu tratamento em conjunto com seu médico.

15 – Todos os casos de câncer de próstata necessitam de tratamento

Mito. Nem todos os tipos de câncer de próstata requerem tratamento imediato. O tratamento do câncer de próstata depende da idade, do estadiamento do tumor, da quantidade de células cancerígenas presentes no tecido da biópsia, dos sinais e sintomas apresentados e do estado de saúde geral do paciente.

Homens diagnosticados com câncer de próstata devem conversar com seu médico sobre a necessidade de tratamento.  Alguns homens podem necessitar de tratamento ativo, que pode incluir: cirurgia ou radioterapia, e outros podem fazer o que se denomina vigilância ativa.

A vigilância ativa é quando o médico monitora o paciente e a evolução (ou não) da doença ao longo do tempo, intervindo quando necessário. Antes de iniciar qualquer tratamento, converse com o seu médico sobre os riscos e benefícios para que você possa tomar uma decisão de qualidade sobre o que é melhor para seu caso.

16 – Buscar uma segunda opinião médica é uma opção válida

Verdade. Você deve se sentir livre para pedir uma segunda opinião sobre seu diagnóstico, tratamento ou ambos. Inclusive, seu médico pode recomendar outro médico para dar uma segunda opinião e em nenhum caso significa que você está duvidando ou desconfiando do seu médico. Lembre-se que é um direito seu saber o que é o melhor para você.

17 – A vasectomia causa câncer de próstata

Mito. Estudos recentes mostram que a vasectomia não é um fator de risco para o câncer de próstata.

18 – O câncer de próstata tem cura

Verdade. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior é a chance de cura. Diagnosticar a doença em fase inicial possibilita que o tratamento tenha êxito em 9 entre 10 casos. Isso aliado a uma terapia individualizada com ênfase em redução de sequelas e complicações com o máximo de resultados.

Prédios iluminados de azul

No Rio de Janeiro, vários prédios públicos serão – ou já estão – iluminados de azul para celebrar a data, como o tradicional Palácio Tiradentes, ex-sede da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), no Centro. Em apoio ao Novembro Azul, a Secretaria de Estado de Saúde também ilumina algumas de suas unidades, como Hospital Carlos Chagas, Adão Pereira Nunes e o Instituto de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), onde tratamentos são oferecidos totalmente de forma gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

*Textos originais publicados emVida&Ação (canal de informação, divulgação e educação sobre temas relacionados à saúde, bem-estar e sustentabilidade).

Imagens: Fotos do Freepik – Imagens: Cartilha “Câncer de Próstata: Vamos falar sobre isso? – Inca”

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