Como apoiar comunidades afetadas pela inundação no RS

Como apoiar comunidades afetadas pela inundação no RS

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Por Redação* – redacao@negrxs50mais.com.br

Para facilitar o envio de ajuda aos afetados pela inundação no RS, o Nonada Jornalismo está mapeando comunidades quilombolas, pontos de cultura, centros culturais independentes, povos de terreiro e terras indígenas (já mapeadas de forma colaborativa por outras OSCs). O Negrxs50mais divulga nessa matéria esse levantamento atualizado.

Segundo o Ministério da Igualdade Racial, o Rio Grande do Sul tem sete mil famílias quilombolas, 344 famílias ciganas e aproximadamente 1300 famílias de terreiros. O censo de 2010 do IBGE aponta pelo menos 60 mil terreiros no estado. Já segundo a Funai, até esta segunda-feira (6), mais de 8 mil famílias indígenas haviam sido atingidas pelos impactos das chuvas.

Até a quinta-feira, dia 8, segundo levantamento da Funai, 1.846 famílias indígenas haviam sido atingidas diretamente e 5.415 indiretamente. Delas 148 famílias estavam ilhadas na Terra Indígena Rio da Várzea, no município de Liberato Salzano. Famílias Kaingang e Charrua, divididas em 47 aldeias, 14 Terras Indígenas, uma reserva indígena e 63 indígenas de contexto urbano, são as etnias afetadas na tragédia. Nenhum óbito foi confirmado até o momento entre os indígenas. O Ministério dos Povos Indígenas e Funai informaram que trabalham na remoção de famílias ilhadas e na emissão de ofício para distribuição de cestas de alimentos. 

comunidades e territórios indígenas - enchentes

Quilombos e terreiros de matriz africanas atingidos pela inundação no RS

Na cidade de Porto Alegre, pelo menos dois dos onze quilombos urbanos foram atingidos. No início da tarde de segunda-feira (6), os moradores do Areal da Baronesa foram surpreendidos pela água, cujo nível subiu em poucos minutos. As famílias conseguiram sair apenas com a roupa do corpo e foram resgatadas, mas o nível do alagamento não parou de subir na região. Berço do carnaval de Porto Alegre, o Areal da Baronesa foi certificado pela Fundação Cultural Palmares em 2002 e titulado em 2005. O Quilombo dos Machado, na zona norte, não foi alagado, mas ficou sem água a partir de domingo (5). A comunidade é um ponto de ajuda e resgate dos desalojados na região do Sarandi, inundada pelo extravasamento de um dique. O Sarandi foi um dos muitos bairros periféricos nos quais a grande maioria das famílias teve que deixar suas casas. 

pela inundação no RS - enchente - bairro Sarandi - Quilombo dos Machado
Enchente no bairro Sarandi, próximo ao Quilombo dos Machado (Foto: Quilombo dos Machado)

Também há relatos de terreiros e comunidades de matriz africana que foram completamente inundados na enchente. Na região metropolitana de Porto Alegre, casas como o Ilê Axé Oyawoyê, terreiro de candomblé da Nação Ketu, em São Leopoldo, e o Terreiro Palmas de Luz, em Montenegro, ficaram debaixo d’água. “No dia 04/05 fomos surpreendidos com a invasão do Rio dos Sinos em nosso axé, nosso espaço foi totalmente tomado por água, assim como diversos locais do RS. Graças aos orixás nossa integridade física foi preservada, mas tivemos muitas perdas materiais em nosso espaço sagrado, perdemos praticamente tudo que tínhamos lá”, informa o terreiro  Ilê Axé Oyawoyê. Na Cidade Baixa, em Porto Alegre, o Ilê Nação Oyó, um dos maiores terreiros da região, com mais de 60 anos de história, foi alagado nesta terça-feira (7).

Em nota, o Ministério da Igualdade Racial (MIR) disse que monitora a situação das comunidades quilombolas, ciganas e povos e comunidades tradicionais de matriz africana.

Como ajudar os afetados pela inundação do RS

pela inundação no RS - quilombo do Areal - enchente -
Quilombo dos Machados - pela inundação no RS - enchente
pela inundação no RS - Quilombo dos Silva - enchente

Terreiros e comunidades de matriz africana:

  • Ilê Axé Oyawoyê  – São Leopoldo (Instagram)
  • Ilê Nação Oyó  – Cidade Baixa/Porto Alegre (Vaquinha)

Pontos de cultura, Centros culturais e ONGs:

  • Livraria Taverna – centro histórico/Porto Alegre (Instagram)
  • ONG Cirandar – centro histórico (Instagram)
  • Associação de Moradores da Ilha do Pavão – Porto Alegre (Instagram)
  • Conceito Arte – Sarandi/Porto Alegre (Instagram)
  • Rakurs teatro – Cidade Baixa/Porto Alegre (Instagram)
  • Pontão de Cultura Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá (Assobecaty) – Guaíba (Instagram)
  • Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz – Porto Alegre (Instagram)
  • Vila Flores – centro cultural e comunidade criativa – Porto Alegre (Instagram)
  • Ponto de Cultura AMÓ – Lugar de Bem Viver – Maquiné (Instagram)
  • Venê Pub Café – Cidade Baixa/Porto Alegre (Instagram)

Terras Indígenas [como ajudar]:

povos indígenas - Apib- ajuda

Organizações indígenas responsáveis pelos parentes afetados no Sul, Arpinsul e Comissão Guarani Yvirupa.

Pix: Arpinsul: 566601e8-72b1-4258-a354-aa9a510445d1

CGY: 21.860.239/0001-01

Foto em destaque: Comunidade Pindo Poty, do povo Guarani Mbya, localizada no bairro Lami, em Porto Alegre. Foto: Roberto Liegbott/Cimi

*Texto editado a partir de matérias publicadas originalmente por Nonada Jornalismo

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