60+ empreende cada vez mais para permanecer ativo
Redação – redacao@negrxs60mais.com.br
O Brasil soma 4,5 milhões de empreendedores da chamada Economia Prateada, que reúne os maiores de 60 anos de idade. O número cresceu 58,6% na última década, de acordo com a gestora do programa Empreendedorismo Sênior 60+, do Sebrae nacional, Gilvany Isaac. Ela descreve o crescimento como uma “onda forte”, em razão do desejo desse público em permanecer ativo. Aliado ao desejo de empreender, o crescimento dos negócios comandados pelos 60+ está relacionado também às transformações populacionais e, por consequência, do mercado de trabalho.

Atualmente, um quinto da população brasileira em idade para trabalhar é composta por este grupo, aponta estudo da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Janaína Feijó .
As maiores proporções de idosos na População em Idade Ativa (PIA) em 2024 estavam nos estados do Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%). As menores proporções foram encontradas em Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%).
O aumento da expectativa de vida ao nascer – que era e 62,6 anos em 1980 e passou para 76,4 anos em 2023 – impactou o mercado de trabalho para a geração prateada. Gilvany Isaac descreve esse crescimento como uma “onda forte”, em razão do desejo desse público em permanecer ativo.
“Existe uma possibilidade de carreira, de continuidade. Tenho visto que as pessoas de 60 anos se identificam com um propósito. Elas querem algo que tenha a ver com a sua experiência, mas que resolva também problemas da comunidade”, aponta Gilvany. O programa voltado para o empreendedorismo sênior é focado em apoiar o público nesta faixa etária que deseja investir em negócios próprios. Em 2025 atendeu a 869 mil pessoas e a meta para 2026 é chegar a 1 milhão.
Vocação para trabalhar com saberes tradicionais e vocações locais
Gilvany relata que percebeu uma vocação deste público em trabalhar com saberes tradicionais e vocações locais. Seja no artesanato, na cultura de sementes ou de ervas medicinais. No Sul por exemplo, ela destaca a produção de artesanato a partir de redes de pesca, por mulheres de comunidades pesqueiras.
“A gente vê que a geração 60+ tem esse cuidado com o planeta, porque viu muita transformação. Onde a gente está caminhando, percebemos essa responsabilidade sobre integrar, ou seja, manter esse planeta vivo do jeito que a pessoa conheceu”, conta Gilvany.

Dentre os setores que mais atraem o interesse dos empreendedores destacam-se turismo, comércio e serviços. O Sebrae oferece mentorias e consultorias, tanto para orientar o candidato a empreendedor, quanto para quem deseja abrir um negócio focado no consumidor 60+. No programa, a participação dos 60+ é alta e o índice de desistência reduzido.
“Eles são muito participativos. O Sebrae faz todo o projeto adequado às necessidades do empreendedor maduro que quer curtir a vida, sem dedicar todo o seu tempo disponível ao negócio”, explica.
Transformação do mercado e enfrentamento ao etarismo
“Ao contrário de estereótipos antigos que associavam o envelhecimento à inatividade ou à dependência, a geração prateada é marcada por um perfil mais saudável, engajado e consumidor”, destaca Janaína.
Ela destaca dois perfis entre os 60+ economicamente ativos: os que trabalham por uma necessidade de renda e os que permanecem nos postos de trabalho para manterem-se ativos e com vínculos profissionais.
A pesquisadora destaca que o etarismo – a discriminação aos mais velhos – é um dos grandes empecilhos à manutenção dos 60+ no mercado de trabalho. Ela reafirma a necessidade de se combater esse preconceito tanto na sociedade, quanto nas empresas.
Papel dos 60+ no crescimento econômico do país
“O que acontece no Brasil é que a população está envelhecendo e não dispõe de jovens para repor essa mão-de-obra, que está envelhecendo. Se a gente não contar com a mão-de-obra 60+, no fim das contas, a gente está prejudicando o crescimento econômico do país”.
A pesquisadora aponta o empreendedorismo como um caminho para aqueles que já se aposentaram, mas desejam permanecer ativos. Ela ressalta a importância de o empreendedor 60+ formalizar o negócio para não estar em uma situação de vulnerabilidade.
O suporte do Sebrae é gratuito, desde o desenho da jornada, até cursos e atendimentos individuais. São promovidos ainda eventos para fortalecer a rede de empreendedores, estimulando a troca de experiências.

