Mulher negra e a culinária: lugar político de quem cozinha em debate

Mulher negra e a culinária: lugar político de quem cozinha em debate

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Redação -redacao@negrxs50mais.com.br

Em 1889 a quitandeira Sabina liderou uma revolta contra homens brancos que combatiam a presença de mulheres negras como vendedoras de alimentos na Praça XV de Novembro, no Centro do Rio. Neste sábado, 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, a partir das 16h30min, o papel político das mulheres na cozinha será debatido em seus vários aspectos no webseminário “Mulher negra e a culinária: lugar político de quem cozinha” , com participação gratuita, transmitido no Facebook.

Participam deste encontro as professoras Helena Theodoro (UFRJ) – em vídeo – e Dolores Lima (Fórum Estadual de Mulheres Negras/RJ); Rosa Perdigão (Cheirinho de Dendê e Associação de Baianas do Acarajé /RJ), Suzi Clementino (Restaurante I Piatti), Cláudia Costa (Cake Cláudia), Eli Silva (Restaurante Elê Zambula) e Maria do Carmo (Acarajé de Maricá). A mediação será das professoras Daniella Gomes e Ana Gomes. Esta também participa da curadoria junto com a jornalista Sandra Martins e a professora Dolores Lima.

Sou a Sabina/ Sou encontrada/ Todos os dias/ Lá na carçada/ Da academia/ De medicina Um senhor subdelegado/ Home muito restingueiro/ Me mandou por dois sordado/ Retirá meu tabuleiro, ai! Sem banana macaco se arranja/ E bem passa monarca sem canja,/ Mas estudante de medicina/ Nunca pode/ Passar sem laranja da Sabina! Os rapazes arranjaram/ Uma grande passeata/ E, deste modo mostraram/Como o ridículo mata, ai!

Artur Azevedo

Lugar político, fonte de renda e tradição cultural

A proposta é refletir o lugar político da culinária na vida da comunidade negra, além de identificar os pontos de profissionalização e fontes de renda articuladas com a tradição cultural. Segundo a organização, as mulheres em debate buscarão aproximar os aspectos de fortalecimento da cultura da culinária com as práticas sociais de exercício da cidadania. Dessa forma, ressaltar a importância da gastronomia, seja africana, afro-brasileira ou não, para a autonomia econômica de mulheres negras.

Mulher negra- cozinha -gastromomia

Ana Gomes destaca que “a partir das vivências e religiosidades africanas a culinária afro-brasileira utilizou elementos de matrizes africanas para criar e ressignificar alimentos, temperos, técnicas de preparo e hábitos alimentares como possibilidades de símbolos identitários, fonte de renda, ofício e profissionalização que permitem a preservação dos cultos religiosos e a autonomia financeira de muitas mulheres negras”,.

O evento visa afirmar a soberania alimentar como processo de garantia de direitos humanos e de valorização das culturas negras. Também é objetivo oferecer visibilidade à mulher, conforme destaca a proposta idealizada pela curadoria.

“Nós também somos gente; por sermos pretas, não pensem que havemos de nos calar. Estão enganados com as minas, somos em grande número e temos, algumas de nós, bem boas patacas. Vamos também fazer nossa revolução, para o que já temos de olho um bom advogado, que não desdenha nossos direitos por causa da cor […] Somos quitandeiras, temos nisto muita honra. […]”

Diário do RJ, 20/11/1873

Quem desejar receber certificado de participação deve se inscrever se inscrever pelo link https://forms.gle/WVHka9P2tDs4Pjv6A .

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