Banco Afro quer alcançar um milhão de contas e fortalecer black money

Banco Afro quer alcançar um milhão de contas e fortalecer black money

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Redação – redacao@negrxs50mais.com.br

O diretor da fintech Banco Afro, Diego Reis, explica o funcionamento da empresa e os seus objetivos, entre eles alcançar um milhão de contas correntes, em entrevista exclusiva ao Negrxs50+. A instituição lançou neste mês o programa Rede do Bem, um programa de impacto social que possibilita a grandes empresas se tornarem benfeitoras da população vulnerável por meio de incentivos fiscais, com a conversão de seus impostos em doações. A iniciativa conta com a parceria da Suvinil, da Madeira do Leo e da Visa e tem em seus públicos-alvo as comunidades negra e de refugiados.

O empresário afirma enfrentar barreira étnica dentro das instituições tradicionais, que convivem com o racismo velado e estruturado. “Com certeza, foi um dos pontos onde a gente não conseguiu ter um apoio rápido. Não aconteceu o apoio, pra falar a verdade”.

Segundo Diego, o Banco Afro reinveste parte do lucro em outras plataformas para a comunidade, tais como projetos sociais, cursos e treinamentos. Ele diz que atua na contramão do mercado financeiro, “pensando como comunidade, como podemos fortalecer o black money. Como a gente pode fazer o dinheiro ficar dentro da comunidade por mais tempo. Como a gente pode oferecer produtos e serviços que atendam à demanda real da nossa comunidade.” Segue a entrevista:

Qual o potencial que vê no mercado afro-brasileiro?

Mais de 40% da população brasileira é “desbancarizada”. Desses, a maioria é preta ou parda. Entendo que, além de conseguir fazer o processo de bancarização, tem todo o processo onde a pessoa se identifica com o banco.  O potencial é enorme, seguindo a meta de bater um milhão de contas ainda este ano

Qual o diferencial do banco para a comunidade negra?
Banco Afro- Black Money- alcançar um milhão de contas

O principal ponto é que a gente vê a comunidade como parte do negócio. Não é só um cliente. Não é só um número. Nosso atendimento, nossos produtos tentam ser cada vez mais empáticos. Tentam realmente atender à necessidade do público e fazer o  máximo pro público  se conectar com a plataforma. Através dessa conexão e voto de confiança da pessoa deixar o dinheiro dela no Banco Afro, a gente abre linha  pra uma série de outras oportunidades e continua fortalecendo o black money. 

O lucro a gente reinveste em outras plataformas para a comunidade. Investe em projetos sociais, disponibiliza cursos, tanto específicos para o sistema financeiro, como para cada segmento. Como os treinamentos de pintores, treinamentos de marceneiros. Conteúdos específico para cada área em projetos sociais que a gente apoia.

Principalmente para a comunidade negra, a gente tem o entendimento muito claro de que ela ainda tem o pensamento muito individualista. A gente vem nessa contramão. Pensando como comunidade, como podemos fortalecer o black money. Como a gente pode fazer o dinheiro ficar dentro da comunidade por mais tempo. Como a gente pode oferecer produtos e serviços que atendam à demanda real da nossa comunidade.

Como um empresário negro faz para se relacionar com o banco?

Hoje tem, além do produto de conta digital e da maquininha de cartão, começamos a retomar os produtos de microcrédito. O empresário pode acessar e tirar dúvidas com o banco desde o acesso via aplicativo. Lá há um botão de fale conosco, que vai chamar o WhatsApp do banco, quanto as redes sociais. Nosso time de atendimento fica o dia todo respondendo rede social.

Como o mercado absorveu o banco com perfil étnico?
Diego Reis- alcançar um milhão de contas- black money- Banco Afro
Diego Reis
Foto: divulgação

Desde o primeiro ano o pessoal fala que a gente é meio maluco, porque gente vem bem na contramão do mercado. O mercado financeiro no geral visa o lucro puramente. Já a gente, visa o lucro, óbvio, pois a gente é um banco e tem que pagar as contas. Não existe almoço grátis, mas a gente entende que parte desse lucro está ligado ao impacto que a gente tá gerando. Então, dentro dos parâmetros do que a gente entende o que é lucro, o impacto social tem um grande peso. Isso é a contramão do mercado.

Como assim, que o banco vai diminuir a margem dele pro empreendedor ter uma taxa mais competitiva? Como um banco vai pegar parte do lucro dele e reaportar em outros projetos sociais, projetos até terceiros? Como assim um banco vai fazer um projeto, emitir os cartões pro parceiro que está contratando a preço de custo? Pra gente faz todo sentido. A gente entende que o impacto social é muito importante.  Esse é o nosso posicionamento. Nós não somos uma fintech tradicional. Somos uma fintech de impacto social.

Como são as relações com outros bancos que operam no mercado? O fato de ter um perfil étnico tem relação com não ter conseguido fazer as operações a “quatro mãos”?

Evidente que o racismo estrutural está aí permeando por diversas áreas e não seria diferente no sistema financeiro. Por a gente ter muito enraizado, e o próprio nome do banco ser Banco Afro, eu entendo que a barreira étnica dentro das outras instituições tradicionais, que têm ali todo o racismo velado, estruturado dentro delas, com certeza, foi um dos pontos onde a gente não conseguiu ter um apoio rápido. Nem rápido. Não aconteceu o apoio, pra falar a verdade.

No primeiro momento, houve uma tentativa de abrir a 4 mãos, com os principais bancos, mas não tivemos sucesso. Depois, fez sentido aproveitar o movimento do Bacen de abertura de mercado e do meu know-how de formação em tecnologia, para abrir a própria Fintech com produtos e serviços que repercutissem diretamente na comunidade, tendo como pilar a bancarização das classes C, D e E, a distribuição de renda, a cidadania financeira e o fortalecimento do black money 

Diego Reis, CEO do Banco Afro. 
O que significa “empatia?” São menores exigências cadastrais, por exemplo?

Ser empático é a gente se colocar no lugar do nosso cliente e entender todas as dificuldades técnicas, culturais, emocionais, relacionais que o nosso cliente tem e tentar ser o mais assertivo possível no atendimento. Nosso atendimento é humanizado. Não é um robô. A gente entende que o público é um público mais humilde. Então o pessoal manda muito áudio, e, às vezes,  não sabe ler.  E então nosso atendente responde em áudio também. A gente tem toda essa empatia de se colocar no lugar da pessoa e tentar ajudá-la da melhor forma possível.

Mais sobre o Banco Afro

  • Por meio da internet opera em todo o país, com sede fixa no Distrito Federal, Brasília.
  • É oriundo do Grupo Afro Empreendedor – coletivo de empresas, criado em 2015, nos mais variados segmentos como, tecnologia, marketing e eventos.
  • Em três meses o banco teve um aumento de 600% na abertura de  contas. A meta para 2021 é chegar a 1 milhão de contas.  
O que o banco oferece
  • Conta digital  
  • Crédito e microcrédito;
  • Meios de pagamento com criação de rede de distribuidores de maquininhas a partir do crescimento comunitário e articulação em rede;
  • Tecnologia para o terceiro setor onde oferece serviços financeiros de distribuição de renda para comunidades
  • e o BAAS, que é o acesso à tecnologia inclusiva e amigável.
  • Serviços financeiros como, cash in (forma de colocar dinheiro na conta) via depósito,  cash out (forma de retirada do dinheiro),
  • Pagamento de conta, recarga de celular,
  • TED e transferência entre pessoas – peer to peer.

A Rede do Bem

A rede do bem já impactou 21.776 pintores e pintoras e mais de oito mil beneficiários diretos e indiretos, entre dependentes e familiares que receberam auxílio financeiro. Foram R$ 1.245.767,02 arrecadados, entre 110 doadores, entre eles a Suvinil, Madeiras do Léo e empresários/pessoas físicas.

Banco Afro- Rede do Bem- alcançar um milhão de contas
Quem pode participar?

Podem participar, como empresas doadoras, instituições que têm faturamento em lucro real

Como faz para participar?

Pessoas físicas podem participar da rede do bem, doando seu próprio capital de R$10 a R$600 para beneficiários aprovados.

Como é pago?
  • Por meio do cartão do Banco Afro. A instituição doadora define o valor doado na vigência do programa, dividido em parcelas.
  • Cada pintor, por exemplo, recebeu R$ 600 em duas ou três parcelas. O dinheiro vem do lucro do Banco Afro somado às doações de parceiros.
  • Os beneficiários  podem utilizar o aporte financeiro recebido por meio  cartão de crédito do Banco Afro em estabelecimentos alimentícios e farmácias

Contato

Ed. Capital Financial Center, Bloco B, Sala 06 – SIG Quadra 04 – Brasília – DF – CEP: 70610-440

55 11 983879694 – www.bancoafro.com.br

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