Décima edição da Flup começa neste sábado, dia 30

Décima edição da Flup começa neste sábado, dia 30

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Redação – redacao@negrxs50mais.com.br

Uma projeção inspirada nos poemas de Aldir Blanc e com narração de Maria Bethânia, dá início à Festa Literária das Periferias. A Flup começa neste sábado a sua décima edição.  Na noite deste dia 30 outras atrações acontecem em quatro diferentes pontos da favela da Babilônia. Serão o Matheusarau (Bar da Tereza), o Sarau das Carolinas (quadra Chapéu Mangueira), o Sarau do Escritório (Estrelas da Babilônia) e o Slam das Minas (Bar do Tomás). Durante o dia, os destaques ficam para uma mesa com Emicida e Boaventura de Sousa Santos e o primeiro Slam Indígena realizado no mundo.

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A Flup é uma festa literária internacional, cuja principal característica é acontecer em territórios tradicionalmente excluídos dos programas literários, na cidade do Rio de Janeiro. Nesse ano acontece de forma híbrida, com programação presencial na favela da Babilônia, no bairro do Leme, na Zona Sul do Rio de Janeiro e transmissão online.

Homenagem a Esperança Garcia

A edição da Flup que começa neste sábado homenageia Esperança Garcia, uma mulher negra, e o gênero literário poesia falada. Esperança foi uma mulher escravizada que ousou, escreveu e enviou, no dia 6 de setembro de 1770, uma carta para Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, governador das Capitanias do Maranhão e do Piauí.

A carta aponta para a participação das pessoas escravizadas nas lutas abolicionistas e é, também, a primeira petição escrita no Brasil. A professora Sueli Rodrigues liderou uma campanha para conceder a Esperança o título de primeira advogada brasileira, condição já reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil do Piauí.

O próximo livro da Flup, que será o 23º editado, com a participação de mais de 400 autores, será dedicado a Esperança. A publicação, segundo a organização do evento, conterá 50 cartas que mulheres negras, escreverão para mulheres que as inspiraram e lhes deram esperança para seguir lutando mesmo nos piores momentos de suas vidas. Essas cartas poderão ser escritas para a mãe, uma vizinha, uma professora, uma escritora ou uma ativista. Elas podem ter como destinatária a própria autora.

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Slam reúne estudantes e incentiva cultura africana

Outra ação da Flup que começa neste sáado é o V Slam Colegial realizado por estudantes de ensino médio. O objetivo é incentivar o contato deles com a história e a cultura dos povos africanos, como determina a Lei 10.639.

A programação dedicada à poesia falada segue em novembro, com o Slam Abya Yala e o Slam Coalkan. O Abya Yala reunirá os campeões das três Américas e os primeiros colocados garantirão vaga para o Slam Mundial, que será realizado em 2022, em Bruxelas.

O Slam Coalkan, concebido e produzido em parceria com o TIFA, reunirá slammers indígenas de diversos países das Américas.

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Os poetas lusófonos também estarão presentes e o tráfico de pessoas escravizadas, oriundas do continente africano, será a pauta. Esse debate, em parceria com o Centro de Estudos Sociais de Coimbra, foi criado e é coordenado pelo professor Boaventura de Sousa Santos.

O feminismo negro no Brasil, com o destaque do papel das mulheres em lutas sociais brasileiras ou mundiais, inspirou o encontro de mulheres da Diáspora. Elas terão como ponto de partida os cinco anos do documentário “Mariannes Noires” para debater as mudanças ocorridas no mundo desde 2016 e devem projetar o que pode acontecer nos próximos anos. A curadoria é da professora francesa Mame-Fatou Niang.

A Flup

Em seus dez anos, a Flup, que começa neste sábado, já passou pelo Morro dos Prazeres, Vigário Geral, Mangueira, Babilônia, Mangueira e Vidigal. Já esteve na Biblioteca Parque Estadual e no Museu de Arte do Rio de Janeiro. Em 2020, devido à covid-19, foi realizada em plataformas digitais com a integração de todo o Brasil e mais 7 países.

​A Flup ganhou alguns prêmios importantes, como o Faz diferença de 2012, o Awards Excellence de 2016, o Retratos da Leitura de 2016 e o Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura, respectivamente outogardos pelo jornal O Globo, a London Book Fair, o Instituto Pró-Livro e a Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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Programação

Atividades online com inscrição prévia pelo @Flup.net.br/landing

30 – Sábado   15h – abertura com a mesa “Rimas Transatlânticas, com Boaventura de Sousa Santos e Emicida

17h – Slam Coalkan, o primeiro slam indígena do mundo

A curadoria é da @aratykyra , a slammaster será a @katumirim, acompanhada do Dj Bryan Rodriguez

No line-up:

Wescritor (Baixada Santista) Ian Wapichana (Roraima)
Brisa Flow( Mapuche – Chile)
Abigail Llanque (Aymara – Bolívia) Oxossi Karaja (MT)
Auritha Tabajara (Ceará) Kandu Puri (Rio de Janeiro)
Edivan Fulni-o ( Pernambuco)

Essas atividades serão transmitidas pelo o YouTube e/ou o Facebook da FLUP

Atividades presenciais*

30 – sábado

19h –  Ocupação poética no Morro da Babilônia, com Videomapping – projeção nas paredes e fachadas da favela de rostos e bocas, máscaras N95, ao som da voz de Maria Bethânia, que recitará letras de Aldir Blanc.

Slam das Minas – No larguinho do Bar do Tomás, na Ladeira Ary Barroso,

Sarau do Escritório – Estrelas da Babilônia – encontro na Rua Dona Alexandrina, 91-B – evento tradicional da literatura carioca

Matheusarau! – Bar da Teresa, no Rodinho da Babilônia, com curadoria de Biancka Fernandes e Wescla Vasconcelos, com poesias e performances de transexuais\travestis nordestines, pretes e LGBTQIA+.

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Pelada Poética – Aquarela do Leme Hostel, na Ladeira Ary Barroso, 21 criada pelo ator, escritor e poeta Eduardo Tornaghi, terá reencontro presencial

Sarau das Carolinas – no Jardim da Babilônia  – Será aberto por uma conversa entre Renata Souza e Benedita da Silva, com mediação de Morgana Eneile

Lançamento da coletânea “Canções para depois do ódio” – Estúdio Vertical, na Ladeira Ary Barroso, 40 – dedicado ao ícone carioca Marcelo Yuka.

Lançamento do livro “Canções para depois do ódio”

*Estes eventos são abertos ao público e gratuitos, respeitando o distanciamento e com uso obrigatório de máscaras.

Dias 5, 6 e 7 de novembro

Slam Abya Yala (internacional) reúne poetas de diferentes países, em evento presencial e gratuito no Copa Leme, para acompanhar será necessária a inscrição prévia por meio do link bit.y/fluppresencial

Os ingressos são limitados e cada um vale, individualmente, para cada uma das rodadas do slam.  Em razão da pandemia, será obrigatório o uso de máscaras, distanciamento e apresentação da carteirinha de vacinação, documento com foto e ingresso. Haverá transmissão pelo Youtube da Flup!

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