Benedita da Silva recebe diploma Abdias Nascimento na Alerj

Benedita da Silva recebe diploma Abdias Nascimento na Alerj

Share With Your Friends

Redação* – redacao@negrxs50mais.com.br

A defesa da igualdade religiosa e a luta pela diversidade e contra o racismo foram alguns dos temas em destaque na noite da última segunda-feira, dia 31, quando a Benedita da Silva, ex-governadora, ex-senadora e atualmente deputada federal recebeu o diploma Abdias Nascimento concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Em recuperação de uma cirurgia e da perda do filho Pedro Paulo, 58 anos, que morreu de câncer no início de abril, Benedita da Silva fez um discurso sobre o momento: “Minha emoção é grande. Fiz 80 anos e tenho passado momentos difíceis, mas minha responsabilidade é grande. Estou curtindo essa homenagem e não tenho como não me emocionar. Não tenho mais filhos, mas tenho filha, netos, netas, bisnetos e bisneta. Na minha casa todo mundo é bamba”, disse.

Benedita da Silva-deputada- PT RJ- Abdias Nascimento

A deputada lembrou que atuou no Senado ao lado de Abdias Nascimento: “Foi ator, grande pintor e fundou o teatro negro, junto com Ruth de Souza. Todos nós, militantes, considerávamos o nosso Zumbi. Era aguerrido, radical, transparente em defender o que queria. No Senado, chamava os orixás e começava a bater o tambor dele”.

Luta antirracista e contra intolerância religiosa

O pioneirismo de Bené à frente de causas que hoje são consideradas atuais também foi lembrado por diversas pessoas que discursaram. Na mesa estavam o pastor Oliver Costa Goiano e o babalorixá Dailton Moreira de Ogum, que falaram contra a intolerância religiosa. Benedita é filha de mãe de santo, mas optou pela religião evangélica há mais de 40 anos.

A ex-deputada estadual e ex-vereadora Jurema Batista, que foi assessora de Benedita, destacou sua generosidade e agradeceu a ajuda em sua carreira política. A vereadora Tainá de Paula também reconheceu a grandiosidade da deputada e destacou sua força política para alavancar outras lideranças negras, especialmente mulheres.

Marido de Benedita, o ator Antônio Pitanga, de 83 anos, contou como conheceu a companheira, ainda nos tempos em que ela atuava como professora na comunidade do Chapéu Mangueira. Destacou a admiração por sua referência ao lado de outras grandes figuras femininas da história contemporânea. A entrega do prêmio com o plenário lotado, foi feita pelo presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), que relembrou a trajetória política de Bené, sua luta contra o racismo e a favor das comunidades do Rio de Janeiro, como o morro Chapéu Mangueira, onde nasceu e viveu durante 57 anos.

Benedita da Silva- deputada federal
Benedita da Silva

“Benedita da Silva é uma mulher guerreira, lutadora, defensora da igualdade e da justiça social; referência para todos nós e um exemplo de brasileira. Tenho muita honra de ter a oportunidade de conviver com a Bené, pessoa ímpar, singular, por quem tenho profunda admiração, especialmente por seu imensurável trabalho no combate ao racismo e em defesa das mulheres e das minorias”, disse Ceciliano, que a chama carinhosamente de ‘tia’.

De líder comunitária a governadora do Rio

Benedita da Silva- deputada- vereadora
Benedita líder comunitária

Benedita iniciou sua trajetória na Associação de Favelas do Estado do Rio, onde foi voluntária na alfabetização de adultos e jovens da comunidade. Aos 40 anos de idade concluiu os cursos de Serviço Social e de Estudos Sociais. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e em 1982 foi eleita a primeira vereadora do partido e primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro.

Benedita governadora do Rio

Em 1986 foi eleita deputada federal. Nas eleições de 1994 chegou ao Senado. Como governadora do Rio, em 2002, numa decisão inédita, Benedita nomeou 20% de negros para o primeiro escalão de sua equipe e implantou o sistema de cotas na Uerj. Em 2003 assumiu o Ministério da Assistência e Promoção Social no primeiro governo Lula. Eleita novamente deputada federal, em 2010, 2014 e 2018, entre outras ações foi a relatora da Proposta de Emenda Constitucional que ampliou os direitos das trabalhadoras domésticas.

*Com informações da Ascom/Alerj

Leia também:

negrxs50mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *